Blog de Christy Ganzert Pato

Diálogos em terra arrasada

População japonesa se adapta à crise

São Paulo, segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

População japonesa se adapta à crise

DO “FINANCIAL TIMES”

Hidenobu Ishikawa, gerente de marketing, deseja uma nova câmera, mas não se atreve a conversar sobre o assunto com sua mulher. Soh Aoki passou o Ano-Novo em uma vila para sem-teto e desempregados, depois que de uma hora para outra não encontrou mais os trabalhos temporários que o sustentaram por vários anos. Mayumi Sakuma, um escritor free–lancer, ficou sem água quente por uma semana para economizar dinheiro para o conserto do gás. Por todo o Japão, as pessoas estão se ajustando às difíceis realidades da recessão.
“O impacto da crise é como três ou quatro bombas atômicas explodindo no mundo”, afirma Toshiaki Sumita, de uma empresa de vidro óptico que viu suas vendas caírem pela metade e cujas fornalhas estão paradas desde o início deste ano.
Inicialmente, o Japão parecia relativamente isolado dos problemas financeiros internacionais. Mas, enquanto o seu sistema bancário está em muito melhor forma do que o dos EUA e o da Europa, a economia real se mostrou muito vulnerável ao contágio global.
A decisão do governo dos EUA de deixar o Lehman Brothers quebrar, em setembro de 2008, atingiu o Japão de duas maneiras. Primeiro, a retirada de fundos estrangeiros afetou as já abaladas ações japonesas, enfraquecendo o capital dos bancos locais, tornando-os mais relutantes na hora de emprestar. Segundo, o colapso global da demanda por produtos como carros e eletrônicos atingiu violentamente o poderoso setor exportador.
Mesmo consumidores que não foram afetados diretamente por esses problemas reagiram cortando seus gastos, acrescentando a fraca demanda interna aos problemas gerais.
Mas é claro que nem tudo é sombrio no Japão. O país possui enormes reservas tanto de riqueza como de talento e muitas das suas empresas são impressionantemente enxutas. Ainda assim, mesmo algumas companhias que normalmente estariam bem posicionadas para se beneficiar dos problemas econômicos estão sofrendo.
Com as linhas de produção ociosas por todo o país, a Onuma Machine, que negocia equipamentos industriais usados, não encontra dificuldades para encontrar material para seus galpões. Mas o presidente da empresa, Hisao Onuma, diz que sofre para encontrar compradores ainda que os preços estejam a metade dos “bons tempos”.
Onuma, que, para economizar dinheiro, determinou que seus funcionários reduzam o consumo de eletricidade e não usem rodovias com pedágios, disse que a desaceleração global fez com que as economias vizinhas, como a China, não compensassem o espaço deixada pela queda japonesa. “Eu nunca vi nada como isso.”

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