Blog de Christy Ganzert Pato

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Lula é o único economista que presta no Brasil, diz Delfim Neto

‘Lula é o único economista que presta no Brasil’

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Delfim Netto diz que virtude de Lula é falar a verdade sobre a economia

Roberval Angelo Schincariol e Roger Marzochi, da Agência Estado

Em meio ao desespero nos mercados, Lula surge como encarnação do otimismo

Pedro Bottino/arte estadao.com.br

Em meio ao desespero nos mercados, Lula surge como encarnação do otimismo

SÃO PAULO - Para o economista Antônio Delfim Netto, ministro da Fazenda em tempos de chumbo e de milagre econômico, o que fará a diferença na economia do tão temido ano de 2009 é a sensibilidade do brasileiro. E, segundo o professor emérito da FEA-USP, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a encarnação do otimismo. “Lula é o maior economista do Brasil”, diz Delfim. Em entrevista à Agência Estado, concedida na manhã do dia 10 de dezembro, em seu escritório localizado ao lado do Estádio do Pacaembu, no bairro paulistano de Higienópolis, o economista falou de Platão, Aristóteles, Henry Paulson, Alan Greenspan e, claro, Lula. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Qual a avaliação que o sr. faz sobre os impactos da crise financeira no Brasil em 2009?

Você está em um ambiente complicado e é claro que o Brasil vai pagar o preço de fazer parte do mundo, como tem os benefícios. O Brasil usou a expansão que houve no mundo. E eu estou convencido de que esta crise é, simplesmente, a própria crise de 2001 consertada pelos economistas. Teve a crise em 2001, que foi a crise do pontocom, que explodiu, e apareceu aquela patifaria da Enron. E como é que os economistas resolveram essa crise? Fornecendo liquidez e permitindo que toda a imaginação do sistema financeiro se exercitasse plenamente, com a idéia de que o sistema tinha em si uma moralidade ínsita. Portanto, ninguém precisa se preocupar porque é tudo gente correta, que não vai fazer nada de patifaria…

O sr. avalia que hoje, então, houve o estouro da bolha da moralidade?

Não, a moralidade já explodiu na Enron. E o que o governo foi fazendo? O Fed e o Tesouro americano passando a grosa, permitindo que você fizesse um curto-circuito aqui, outro lá. Quando o (Henry) Paulson (secretário do Tesouro) tomou posse, em 2006, ele declarou: “Eu vim para acabar com o resto de regulação que está perturbando o crescimento.” Em 2006! A crise já estava explodindo! Então, você está diante de um fato: os economistas são capazes de produzir uma crise, mas não podem resolvê-la. A crise está fora da economia.

Seria uma crise de expectativa?

Seria uma crise de expectativa, de crença, de confiança Qual é a origem da sociedade? Está no velho Platão, antes do Aristóteles. Para a coisa funcionar, tem de ter possibilidade de trocar o meu trabalho com outro. E tem de ter uma moeda. Nós estávamos produzindo milho. Eu vivia pobre, você também. Mas eu produzia o meu, você produzia o teu. Mas chegamos a um acordo. Eu vou produzir o milho e você vai fazer um buraco aí até conseguir água, depois a gente irriga o milho, vai dobrar a produção e vamos viver melhor. Esse é o progresso. Está no Adam Smith. Divisão do trabalho. Isso exige que eu confie que, enquanto eu estiver produzindo o milho, você esteja fazendo o buraco. Então, a confiança precede a sociedade. Ela é o cimento, o fator catalítico que faz funcionar a sociedade. Os economistas nunca se preocuparam em saber o que estava por trás do mercado. Atrás do mercado está o Estado. E, atrás do Estado, está a confiança.

É quando o sr. diz que economia não é ciência.

É claro que economia não é ciência. É um bom conhecimento empírico que deve ajudar a administração. Porque o homem tem um defeito enorme: ele pensa. Se o átomo pensasse, a física seria bem mais complicada. Na verdade, o homem aprende. Na economia, ele aprende e se defende. A minha idéia é que você tem de pagar o preço de estar no mundo, mas temos condições melhores. Nem é por virtude. Foi por um acidente. Nós tivemos uma crise bancária muito séria, fizemos um Proer e, com ele, nós demos uma arrumada no sistema bancário.

O Proer foi positivo para o sistema?

Eu vejo o Banco Central (BC) como dois ‘animais’. Um tem nota dez, outro tem nota dois. O BC fiscalizador se saiu muito bem. Os bancos estão hígidos, têm alavancagem baixa, são cuidadosos. É claro que o Brasil tem contato com o mundo e precisava de financiamento externo para fazer funding dos bancos.

Na atual crise, o BC agiu no tempo certo?

A ação do BC foi no tempo próprio, com alguns pecadilhos. Em lugar nenhum do mundo o BC diz: “Eu vou dar dinheiro para banco grande comprar banco pequeno.” Muito menos vou dar dinheiro para banco público, porque aqui você tem dois problemas graves: a higidez de um banco não depende nem da sua propriedade nem do seu tamanho. O banco público não é muito mais seguro que nenhum banco privado. Mas por uma simples razão: porque banco, por definição, é quebrável.

Quando o sr. diz que o BC não deveria ter dito que o dinheiro era para comprar bancos pequenos, deveria ter dado o dinheiro sem dizer…

Não, deveria ter feito as coisas já de uma vez! Não deveria usar a técnica do conta-gotas. Quando se faz um sistema no qual eu compro a carteira do outro, estou levantando dúvidas sobre essa carteira. É como ter um dinossauro Rex de boca aberta e tem uma galinha que eu estou espantando para a boca do dinossauro.

Hoje sofremos o risco de, ao tentar resolver esta crise, criarmos outra?

Eu acho que hoje as pessoas estão aprendendo. Primeiro, porque se não fosse o Brown (Gordon Brown, primeiro-ministro britânico), o Paulson estava até hoje procurando a causa do problema. Com sua intuição inglesa, Brown disse: “Não, o problema é do capital. O problema veio da alavancagem que vocês fizeram.” Nunca houve uma coordenação mundial como está havendo. Se tudo funcionar mais ou menos, essa crise deve ser menor do que seria sem a intervenção do governo e mais rápida do que seria sem ela.

Mas o sr. não avalia que a crise financeira será tão forte no Brasil como está sendo para o resto do mundo?

A crise americana vem vindo desde o começo de 2007. No Brasil, não. É uma crise datada. Vinha se desarrumando e, quando o Paulson faz a barbeiragem no Lehman, desaba tudo. Ou seja, ele matou o fator catalítico, que era a confiança. E no Brasil ocorreu uma função descontínua. É uma crise de confiança que atingiu os bancos lá fora.

Mas houve uma queda na concessão de crédito no Brasil.

Você imagina uma coisa. Chega um grande banqueiro brasileiro no Waldorf-Astoria e encontra com o homem do Citi, na sua importância, para dizer: “Eu ainda não cortei o crédito lá.” O homem do Citi diz: “Esse sujeito não faz parte do nosso clube ” Agora, nenhum deles fez patifaria aqui, nem sei se por virtude É que aqui tinha formas de ter retorno muito mais seguro e mais alto que com a patifaria.

Com juros?

Então, nós já tínhamos a mais alta taxa e fizemos o maior aumento do mundo. Quando o mundo inteiro reduziu, nós continuamos insistindo na mesma política. Isso tudo, que era um defeito enorme, agora as pessoas dizem que foi uma clarividência É como aquele francês, para quem ofereceram a Brigitte Bardot. Só que hoje ela está com 80 anos!

Se o senhor fosse o presidente do BC, qual seria a taxa ideal de juros?

O Brasil não tem nenhuma razão para ter a maior taxa de juro do mundo. A taxa de equilíbrio é 3%, 3,5%, como é no mundo todo. Com inflação de 5%, poderíamos rodar com 8% nominal. Mas tudo isso é absolutamente irrelevante porque o BC nem tem mecanismo para fazer esse negócio. Então, vamos pensar onde paramos. Paramos por uma questão psicológica. O Lula é o único economista que presta no Brasil porque é o único que está falando a verdade. A intuição dele mostra o seguinte: nós estamos interrompendo o circuito econômico porque, se você não comprar o carro, porque tem medo de ficar desempregado, é certo que você vai ficar desempregado, porque a Volkswagen não faz o carro por medo que não vai ter demanda. E o banqueiro, no final, que pensa que está salvo, ele também vai morrer junto com o sistema.

É como o sr. já comentou que, ao pregar a morte do crédito, os banqueiros acabam se “suicidando”?

Eles se suicidam porque não têm outro remédio. Porque nenhum banco é seguro! E aqui é que vem a segunda crítica à política do BC. Quando ele diz que está dando dinheiro para o Banco do Brasil, para a Caixa Econômica pra fazer isso ou aquilo, está dizendo o quê? Esses bancos são mais seguros. Isso tudo é um equívoco monumental.

Como o sr. mede a expectativa hoje?

O Lula, com todas as críticas… As pessoas ficam furiosas com o Lula. Porque há, na verdade, um preconceito enorme. A vantagem do Lula é não ter um curso superior.

É uma vantagem?

Sim, não é um prejuízo. Senão ele estava igualzinho aos de curso superior aí dizendo “tá tudo perdido!, “estamos perdidos!”, “’sifu’ para todos nós!”. Então, o que acontece? É uma atitude ingênua, mas que corresponde a uma realidade. O fator principal é restabelecer aquilo que é o cimento da sociedade, que é a confiança.

Em uma entrevista recente, o sr. afirmou que não fazia previsões para 2009…

O que você pode esperar do Brasil? Devido a essas condições, pode-se esperar uma situação um pouco melhor. Não adianta fazer editorial dizendo que o Lula é oportunista, que fala errado. Também ele não vai brigar por conta disso. E dizer que o Lula não conhece física quântica porque ele também prefere não saber física quântica. O que ele conhece é gente. Então, se quatro quintos do Nordeste e dois terços do Sul acreditam no Lula, é porque tem alguma coisa que funciona.

E quanto disso pode se refletir no crescimento do Brasil?

Qualquer número é um chute. A minha convicção é a seguinte: quando o Brasil cresce? Cresce quando cresce mais que o mundo.

O sr. não pensa em voltar para o governo?

Você está louco! Esquece essas coisas. Deixa eu te contar. Hoje é outro mundo. Hoje você precisa de gente e de uma arrumação do governo. Desligou já isso (o gravador)? Não, não tem nada de desligar não, é isso mesmo.

Newsweek: Lula é 18ª pessoa mais influente do mundo


segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Newsweek: Lula é 18ª pessoa mais influente do mundo

SÃO PAULO - O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, figura como a 18ª pessoa mais influente do mundo numa lista elaborada pela revista americana Newsweek para delinear a nova estrutura de poder global. Na edição com data de 5 de janeiro de 2009, o periódico publica reportagem especial sobre a ascensão de Barack Obama ao posto de pessoa mais influente do mundo e aponta os 49 políticos, grupos e personalidades com mais potencial de destaque durante o mandato do próximo presidente americano.

Ao justificar a escolha de Lula como a 18ª pessoa mais influente do planeta, a Newsweek escreve que, “depois de pegar o Brasil à beira da ruína no início de 2003″, o atual presidente hoje governa um país com mais de US$ 200 bilhões em reservas internacionais e com o menor índice de inflação entre os países emergentes. Encabeçada por Barack Obama, a lista da Newsweek conta com o presidente da China, Hu Jintao, em segundo lugar, e o da França, Nicolas Sarkozy, em terceiro.

Os quarto, quinto e sexto lugares são ocupados, na ordem, pelos presidentes dos bancos centrais dos Estados Unidos, da Europa e do Japão – Ben Bernanke, Jean-Claude Trichet e Masaaki Shirakawa, respectivamente. O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, aparece em sétimo lugar, seguido pela chanceler alemã, Angela Merkel, e pelo chefe de governo da Rússia, Vladimir Putin. O décimo lugar é ocupado pelo rei Abdullah da Arábia Saudita.

Lula aparece à frente de figuras como o papa Bento XVI (37º), o milionário saudita no exílio Osama bin Laden (42º) e o dalai-lama (46º). No texto de apresentação, a Newsweek admite que a elaboração da lista é “altamente subjetiva e arbitrária”, mas assegura que as escolhas foram cuidadosamente avaliadas e representam a tendência do novo equilíbrio de poder no mundo. As informações estão no site aberto da Newsweek.

Brazil’s Lula takes center stage in Latin America

Los Angeles Times

Brazil’s Lula takes center stage in Latin America

South American Presidents meet

Antonio Lacerda / EPA
Brazil’s Luiz Inacio Lula da Silva, second right, with Venezuela’s Hugo Chavez, Bolivia’s Evo Morales and Ecuador’s Rafael Correa at the meeting in which they talked about regional integration in Manaos, Brazil.
The Brazilian president has emerged as the chief mediator in the region, riding a wave of popularity and galloping economic growth at home and acting as a counterweight to Venezuela’s Hugo Chavez.
By Chris Kraul and Patrick J. Mcdonnell, Los Angeles Times Staff Writers
October 5, 2008
SAO PAULO, BRAZIL — Buoyed by a robust economy and his ability to work with leaders across the ideological spectrum, Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva has emerged as the chief power broker and mediator in South America.

Lula’s rise has paralleled the decline of U.S. influence in its “backyard,” analysts say, a result in part of Washington’s plummeting global prestige and the Bush administration’s unremitting focus on the Middle East.

  • Luiz Inacio Lula da Silva
A moderate with an unassailable leftist background, Lula has become the point man for healing regional crises such as the current turmoil in Bolivia and the recent escalation of tensions among Colombia, Venezuela and Ecuador.

Lula, who survived overlapping corruption scandals, exudes the persona of a level-headed leader who eschews ideology for solutions. The can-do image and the country’s economic prosperity have helped win him soaring popularity at home and abroad.

“Lula is the ultimate pragmatist,” said former Finance Minister Delfim Netto, an advisor.

The president seems intent on fulfilling Brazil’s long-unrealized economic and political potential and making it a recognized world power, starting by asserting its role as South America’s preeminent presence.

Lula’s skills as a mediator probably will be tested as the region enters a renewed period of uncertainty: the prospect of civil war in Bolivia, a shaky leftist government headed by an ex-bishop in Paraguay, Venezuela’s emerging alliances with Russia and Iran, and a new U.S. president to be elected in the midst of a financial crisis that probably will continue sending ripples through the hemisphere.

Lula, who began a second term in 2007, has increasingly asserted his influence as he and Venezuelan President Hugo Chavez vie for the hearts and minds of contemporary Latin Americans. Venezuela’s arms deals and foreign alliances have played a role in Brazil’s decision to bolster its military, analysts say.

“Since the beginning of his second term, Lula began to compete vigorously to counter Chavez’s aspirations as a regional leader,” noted Julio Burdman, an Argentine political analyst.

But Lula’s aims transcend any competition with Chavez, whose nation is much smaller than Brazil. Lula has loftier goals, even pushing for a permanent seat for Brazil on the U.N. Security Council, however unlikely.

Whether he’s sloughing off Chavez’s strident anti-Americanism or privatizing roads and power plants in Brazil, the former union firebrand who emerged from the assembly lines of Sao Paulo has repeatedly defied stereotypes since taking office in 2003 as the avatar of a new generation of leftist leaders. He has gone from being what some considered a radical bent on imposing socialism to a free-market champion who still funds social programs for the poor.

Lula enjoys a warm relationship with President Bush and was a guest last year at Camp David. But he’s no U.S. patsy, challenging Washington on economic and security issues when he sees Brazil’s interests at stake

On Tuesday, Lula assailed Bush’s farewell address to the U.N. General Assembly last month for downplaying the U.S. financial meltdown.

“I thought he would make a goodbye speech that talked a little about the economic crisis,” Lula, appearing disappointed, told reporters in New York. “He took the option of talking about terrorism again.”

Lula also has gone toe-to-toe with U.S. trade negotiators as informal leader of the “Group of 20″ developing nations, blocking trade deals that incorporate U.S. and European farm subsidies that the group says are unfair.

But for U.S. policymakers, Lula is a welcome counter-weight to Chavez’s yanqui-bashing bluster. Last month in Santiago, Chile, Lula trumped Chavez at an emergency summit of South American leaders seeking to calm widening conflict in Bolivia, which shares a long border with Brazil.

The Brazilian president insisted that the group’s final declaration omit anti-Washington invective — to the dismay of Chavez and Bolivian President Evo Morales, both of whom have expelled U.S. ambassadors for alleged coup-mongering.

Many analysts conclude that the days of Washington calling the shots are gone — collateral damage, in part, from the attacks of Sept. 11.

“That’s when the U.S. clearly began focusing its attention on the Middle East, Afghanistan and Iraq, and many sensed the loss of engagement with the region,” said Peter De Shazo, a former deputy assistant secretary of State for the Western Hemisphere now at the Center for Strategic and International Studies in Washington.

In Venezuela, Chavez survived a short-lived 2002 coup that he blamed on Washington, and returned with renewed anti-U.S. fervor. Chavez lured allies with petrodollars and Cold War-era oratory as the Bush administration went to war in Iraq.

“Part of the problem for the United States is the tremendous antagonism with Venezuela, which makes a U.S. role very problematic,” noted Michael Shifter of the Inter-American Dialogue, a Washington think tank. “But it’s also much deeper. It reflects the fact that Brazil and other countries in the region want greater independence from the United States and want to resolve problems on their own.”

Although Chavez has won wide popular appeal among the region’s young and disenfranchised — and Venezuela’s oil wealth has bought allies — his divisive discourse has also alienated many.

With Chavez, Lula dances a delicate tango: He maintains cordial relations with his oil-rich neighbor, a major client for Brazilian goods and services, while sidestepping the Venezuelan’s incendiary rhetoric.

Still, Lula shares the United States’ wariness about Chavez’s burgeoning arms deals and Venezuela’s planned military exercises with Russia, noted Amaury de Souza, a political analyst here.

Lula has ordered a strategic review of Brazil’s military that could result in massive rearming. Brazil is also considering a purchase of jet fighters from U.S., French and Swedish bidders and a nuclear submarine deal with France.

At home, Lula’s popularity — an opinion poll out last week put his approval rating at 68% — has little to do with submarines and foreign policy. It’s all about the galloping economy.

Brazil, a vast, fertile nation that is among the world leaders in exports of soybeans, beef, iron and coffee, is shedding the vestiges of its Third World image. It has scored big in the worldwide commodity boom, spurred by voracious Asian demand. International investment is pouring in.

In a nation notorious for its unequal distribution of wealth, Lula has managed the difficult challenge of pleasing both the affluent and the impoverished multitudes. While the rich are getting richer and the middle class is expanding rapidly, Lula has dedicated massive social spending to the less fortunate.

“Lula has been lucky: He has had big oil finds at home and economic conditions around the world have been favorable for Brazil,” said Aldo Musacchio, a Brazil specialist at Harvard Business School. “The current [U.S.] economic crisis may be a big worry, but in Brazil incomes are growing and people don’t think the situation is bad at all.”

chris.kraul@latimes.com

patrick.mcdonnell @latimes.com

Kraul reported from Sao Paulo and McDonnell from Buenos Aires and Santa Cruz, Bolivia. Special correspondents Mery Mogollon in Caracas, Venezuela, Marcelo Soares in Sao Paulo and Andrés D’Alessandro in Buenos Aires contributed to this report.

Lula, expressão máxima da democracia, e de seus limites



São Paulo, segunda-feira, 08 de setembro de 2008

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Só dá Lula

SÃO PAULO – A menos de um mês das eleições, o que até agora as campanhas municipais mais evidenciam é a popularidade de Lula, que alcança patamar espantoso mesmo em São Paulo, cidade que sempre lhe foi hostil e na qual em 2006, para ficar só no passado recente, foi derrotado por Alckmin (54,4% a 45,6%), apesar da vitória acachapante em âmbito nacional (de 22 pontos). Pois Lula tem agora 52% de aprovação na capital, contra 42% de José Serra, diz o Datafolha.
Tome-se o país afora. Os candidatos a prefeito da base governista lideram em 20 das 26 capitais. A se confirmar a tendência nas urnas, muito do êxito terá de ser creditado às faíscas reluzentes do lulismo.
Pipocam aos montes na TV candidatos de nome “Lula” que não nasceram Luiz; outros tantos imitam a voz do presidente no rádio, encenando o apoio que gostariam de receber. Mesmo a oposição entrou na onda: no Nordeste, postulantes do PSDB e do DEM proíbem que seus aliados critiquem Lula porque atrapalha; vários deles chegam a disputar sua proximidade.
A eleição ilumina um fenômeno que a ultrapassa. A vida de muita gente melhorou, é fato. A mitigação da miséria obtida com os programas de transferência de renda e a elevação do consumo na faixa social que a propaganda oficial se apressa em chamar de “nova classe média” são o pau que sustenta a lona do circo onde se anuncia o céu estrelado. Os ricos também nunca ganharam tanto. A fera barbada de 89 se transformou no domador do espetáculo.
Para além da economia, que explica muita coisa, Lula é hoje um fator de pacificação social. Alguém diria que é capaz de tirar as meias sem tirar os sapatos. Descomprimiu um imenso passivo de iniqüidades sem mexer com os poderosos. Pelo contrário, faz um governo concessivo, que se serve sem pudor das forças do atraso e conduz seu barco nas águas do conservadorismo.
Lula é nosso esperanto social, a encarnação do “&” que conecta e separa Casa Grande e Senzala. Ele é a expressão máxima da democracia brasileira. E talvez de seus limites.