Blog de Christy Ganzert Pato

Diálogos em terra arrasada

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Desemprego ameaça estabilidade global

São Paulo, segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Desemprego ameaça estabilidade global

Onda de demissões avança pelo mundo, e agência da ONU diz que 50 milhões de empregos podem ser perdidos

DO “NEW YORK TIMES”

Desde advogados em Paris até operários de fábricas na China e seguranças na Colômbia, as fileiras dos desempregados estão inchando rapidamente em todo o mundo.
As perdas de empregos decorrentes da recessão que começou nos Estados Unidos em dezembro de 2007 podem chegar a estarrecedores 50 milhões até o final deste ano, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), uma agência das Nações Unidas. A recessão já levou à perda de 3,6 milhões de empregos nos Estados Unidos.
Os altos índices de desemprego, especialmente entre trabalhadores mais jovens, já levaram a protestos em países tão diversos quanto Letônia, Chile, Grécia, Bulgária e Islândia e contribuíram para greves no Reino Unido e na França.
No mês passado o governo da Islândia, país cuja economia está prevista para se contrair em 10% neste ano, caiu, e o primeiro-ministro adiantou as eleições nacionais, após semanas de protestos enfurecidos.
Na semana passada, o novo diretor de inteligência nacional dos Estados Unidos, Dennis C. Blair, afirmou ao Congresso que a instabilidade causada pela crise econômica global já é a maior ameaça à segurança norte-americana, passando o terrorismo.
“Quase todo o mundo foi pego de surpresa com a rapidez com que o desemprego vem crescendo, e quase todos estão sem saber como reagir”, disse Nicolas Véron, do centro de pesquisas Bruegel, em Bruxelas, na Bélgica.
Em economias emergentes como as da Europa Oriental, teme-se que o desemprego crescente possa incentivar um afastamento da política de livre mercado, pró-ocidental, enquanto, nos países desenvolvidos, o desemprego pode reforçar o protecionismo.
De fato, alguns pacotes de estímulo europeus, além do plano de US$ 787 bilhões aprovado nos Estados Unidos anteontem, incluem proteções para empresas domésticas, elevando a probabilidade de batalhas comerciais protecionistas.
Enquanto o desemprego vem crescendo nos EUA desde o final de 2007, só recentemente as demissões na Europa, na Ásia e no mundo em desenvolvimento ganharam ritmo.
O FMI prevê que até o fim do ano o crescimento econômico global chegue ao nível mais baixo desde a Grande Depressão dos anos 1930, segundo Charles Collyns, vice-diretor do departamento de pesquisas do Fundo. De acordo com o FMI, o crescimento mundial “virtualmente parou”, e a previsão é que as economias desenvolvidas encolham 2% neste ano.
“É a pior situação desde 1929″, disse o ministro do Emprego da França, Laurent Wauquiez. “O que é novo agora é que a situação é global, e estamos sempre falando sobre isso. Está em todos os países.”
Na Ásia, qualquer atitude de satisfação arrogante que possa ter existido por suas economias terem escapado de ser prejudicadas pela dívida de alto risco americana foi apagada pelo desespero crescente gerado pela queda das vendas dos maiores exportadores.
Milhões de trabalhadores migrantes na China continental estão procurando trabalho, mas constatando que as fábricas estão sendo fechadas. Embora essas manifestações não tenham sido tão grandes quanto as da Grécia ou as do Báltico, já houve dezenas de protestos em fábricas individuais na China e na Indonésia.
Os chamados por protecionismo vêm encontrando eco entre um público assustado. No Reino Unido, empregados de refinarias e usinas elétricas fizeram greve em protesto contra o uso de trabalhadores da Itália e de Portugal numa obra.
A expectativa é que até meados do ano que vem o desemprego no Reino Unido chegue a 9,5%, contra 6,3% no momento; na Alemanha, pode subir de 7,8% para 10,5%. Mesmo a Índia estancou. Cerca de 500 mil pessoas perderam seus empregos entre outubro e dezembro do ano passado.

PIB japonês tem maior queda em 34 anos

São Paulo, segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

PIB japonês tem maior queda em 34 anos

Segunda maior economia mundial encolhe 12,7% no 4º trimestre do ano passado e mostra situação pior que EUA e Europa

Economia japonesa está em recessão desde novembro de 2007, e FMI estima retração de 2,6% neste ano, na maior queda desde o pós-Guerra

DA REDAÇÃO

A economia japonesa engrenou o terceiro trimestre seguido de retração e o tombo foi o maior em 34 anos, mostrando resultados ainda piores que os dos Estados Unidos e da Europa e que a crise ganhou no final do ano passado ritmo e alcance não visto em décadas.
Com as exportações, seu tradicional motor, em queda e o mesmo acontecendo com a demanda interna, o Japão encolheu 12,7% na taxa anualizada nos últimos três meses de 2008, 10,4 pontos percentuais mais que trimestre anterior e o pior resultado desde 1974, na época do choque do petróleo, quando o recuo foi de 13,1%.
Para ter uma ideia da intensidade da crise na segunda maior economia mundial, o PIB (Produto Interno Bruto) japonês se retraiu em 3,3% no quarto trimestre em relação aos três meses anteriores. Já a Alemanha, a maior economia europeia e que, assim como a japonesa, tem um forte setor exportador, teve queda de 2,1% nessa mesma comparação, e os Estados Unidos, o epicentro da crise global, recuaram 1%.
Os últimos três meses de 2008 foram marcados pela concordata do banco Lehman Brothers na metade de setembro, detonando o agravamento da crise global e, consequentemente, da economia japonesa, que, segundo painel do governo, está em recessão desde novembro de 2007.
No caso japonês, essa piora da crise pode ser lida nos números do PIB: as exportações de bens e serviços recuaram 45% na taxa anualizada e a demanda privada caiu 2,6%. A taxa anualizada significa que, caso o número do trimestre se repita nos nove meses seguintes, esse será o dado final do ano.
Com a demanda mundial por carros e eletrônicos em queda devido à crise, as exportações japonesas estão em queda e grandes empresas do país vêm anunciando nos últimos dias demissões em massa, apontando que elas não esperam uma recuperação no curto prazo.
Companhias como Panasonic, Pioneer, Nissan e NEC disseram que pretendem fechar 65 mil postos de trabalho (a maior parte deles no Japão), além de várias fábricas, e outras, como a Toyota, que recentemente se tornou a maior montadora mundial, esperam o seu primeiro prejuízo anual para o período de 12 meses que se encerra em 31 de março.
Além dos problemas da crise, que diminuiu fortemente o apetite dos consumidores pelo mundo, as empresas japonesas enfrentam a valorização do iene, que derrubou a competitividade no exterior dos produtos do país asiático.
Com isso, a sua produção industrial recuou 9,6% em dezembro do ano passado, a maior queda desde o início do levantamento, em 1953, e a estimativa do governo é a de que tenha ocorrido uma nova retração de em torno de 9% no mês passado, sinalizando que a crise não perdeu força neste começo do ano. E a confiança das famílias, que representam cerca da metade da economia, está no menor nível em 26 anos.
A previsão do FMI é que o país encolherá 2,6% neste ano, que, se confirmada, será a maior queda no pós-Guerra.
Para o ministro da Economia do Japão, Kaoru Yosano, o país vive a pior crise econômica desde o fim da Segunda Guerra, em 1945. “Não há nenhuma dúvida sobre isso”, disse, complementando que o governo não pretende lançar novos planos para estimular a economia.
Para tentar reanimar a economia, o governo já lançou três pacotes de estímulo desde agosto do ano passado que, somados, chegam a quase US$ 700 bilhões (metade do PIB brasileiro de 2007), mas parte desses planos ainda está parada no Congresso, aguardando aprovação. E os juros estão em 0,1%, mas o BC não descarta a volta da política de taxa zero, adotada entre 2001 e 2006.


Com agências internacionais

País tem o maior corte de vagas desde 1974

São Paulo, sábado, 07 de fevereiro de 2009

País tem o maior corte de vagas desde 1974

FERNANDO CANZIAN
DE NOVA YORK

A economia dos EUA perdeu mais 598 mil empregos em janeiro (maior corte de vagas mensal desde dezembro de 1974), elevando o desemprego para 7,6%, o maior em 16 anos.
Uma revisão nos números de 2008 pelo Departamento do Comércio também acrescentou mais 400 mil demitidos às contas iniciais. Com isso, 2008 terminou como o pior ano da história para o mercado de trabalho nos Estados Unidos: 2,974 milhões de pessoas foram mandadas embora.
O aumento do desemprego em janeiro elevou o total de pessoas sem trabalho nos EUA para 11,6 milhões, ante 4,1 milhões há pouco mais de um ano.
O resultado do mês passado fez com que o total de demissões no país atingisse 3,6 milhões desde dezembro de 2007, quando os EUA entraram em recessão. Metade desses cortes ocorreu somente nos últimos três meses, o que mostra uma aceleração dos efeitos da crise e a sua provável continuidade durante um longo período.
Diante dos números, o presidente dos EUA, Barack Obama, qualificou como “indispensável” a aprovação pelo Congresso do pacote quase trilionário de estímulo. Diante da expectativa de aprovação, as Bolsas reagiram positivamente, e o índice Dow Jones subiu 2,70%.
A taxa de desemprego nos EUA não crescia tão rápido em um período de três meses consecutivos desde o início da recessão dos anos 1980. E em apenas dois períodos a partir de 1948 (ambos na recessão dos anos 1980), o número total de desempregados no país ultrapassou os 11,6 milhões atuais.
O resultado de janeiro foi, individualmente, o pior deste atual período recessivo e veio bem acima do que os mais pessimistas previam. Com exceção dos setores de saúde e educação, praticamente todos os outros cortaram vagas abruptamente, revelando um desaquecimento espalhado e profundo.
O setor industrial foi o mais afetado e eliminou 207 mil postos de trabalho. Foi o maior corte desde 1982, quando os Estados Unidos também estavam em recessão. A área de construção civil veio em seguida: perdeu 111 mil vagas.
No comércio, que acaba de passar pelo pior período de vendas de Natal em vários anos, foram demitidas mais de 45 mil pessoas.
No setor financeiro, a sangria foi menor em janeiro, com corte de 42 mil pessoas. Mas a área, onde são pagos alguns dos maiores salários, já perdeu 388 mil empregos a partir de 2007.

Homens e mulheres
Com a indústria e a construção concentrando o grosso dos cortes nos últimos meses, cerca de 80% dos demitidos mais recentemente são homens, segundo estudo da ONG Center for American Progress.
Embora a força de trabalho nos EUA seja praticamente dividida meio a meio entre o sexo masculino (50,9%) e feminino (49,1%), as mulheres tendem a atuar em áreas menos sensíveis em tempos de crise, como educação e saúde. São setores que contam também com expressivos repasses de verbas estatais.
Na contramão das demais áreas, educação e saúde acrescentaram 54 mil novos empregos em janeiro.
Os resultados oficiais também não deram nenhuma indicação de que uma recuperação no mercado de trabalho possa estar a caminho. Um dos indicativos é que as empresas especializadas em fornecer trabalhadores temporários (geralmente a quem ainda tem dúvidas entre contratar ou não) cortaram a oferta de vagas em 76,4 mil no mês passado.
Os desempregados têm encontrado dificuldades cada vez maiores para voltar ao mercado. Na média, eles têm procurado empregos por mais de dez semanas, quando encontram ou desistem. Quase um em cada quatro desempregados está sem trabalho há mais de seis meses.

Paul Krugman – When Consumers Capitulate

New York Times

When Consumers Capitulate

Published: October 31, 2008

The long-feared capitulation of American consumers has arrived. According to Thursday’s G.D.P. report, real consumer spending fell at an annual rate of 3.1 percent in the third quarter; real spending on durable goods (stuff like cars and TVs) fell at an annual rate of 14 percent.

To appreciate the significance of these numbers, you need to know that American consumers almost never cut spending. Consumer demand kept rising right through the 2001 recession; the last time it fell even for a single quarter was in 1991, and there hasn’t been a decline this steep since 1980, when the economy was suffering from a severe recession combined with double-digit inflation.

Also, these numbers are from the third quarter — the months of July, August, and September. So these data are basically telling us what happened before confidence collapsed after the fall of Lehman Brothers in mid-September, not to mention before the Dow plunged below 10,000. Nor do the data show the full effects of the sharp cutback in the availability of consumer credit, which is still under way.

So this looks like the beginning of a very big change in consumer behavior. And it couldn’t have come at a worse time.

It’s true that American consumers have long been living beyond their means. In the mid-1980s Americans saved about 10 percent of their income. Lately, however, the savings rate has generally been below 2 percent — sometimes it has even been negative — and consumer debt has risen to 98 percent of G.D.P., twice its level a quarter-century ago.

Some economists told us not to worry because Americans were offsetting their growing debt with the ever-rising values of their homes and stock portfolios. Somehow, though, we’re not hearing that argument much lately.

Sooner or later, then, consumers were going to have to pull in their belts. But the timing of the new sobriety is deeply unfortunate. One is tempted to echo St. Augustine’s plea: “Grant me chastity and continence, but not yet.” For consumers are cutting back just as the U.S. economy has fallen into a liquidity trap — a situation in which the Federal Reserve has lost its grip on the economy.

Some background: one of the high points of the semester, if you’re a teacher of introductory macroeconomics, comes when you explain how individual virtue can be public vice, how attempts by consumers to do the right thing by saving more can leave everyone worse off. The point is that if consumers cut their spending, and nothing else takes the place of that spending, the economy will slide into a recession, reducing everyone’s income.

In fact, consumers’ income may actually fall more than their spending, so that their attempt to save more backfires — a possibility known as the paradox of thrift.

At this point, however, the instructor hastens to explain that virtue isn’t really vice: in practice, if consumers were to cut back, the Fed would respond by slashing interest rates, which would help the economy avoid recession and lead to a rise in investment. So virtue is virtue after all, unless for some reason the Fed can’t offset the fall in consumer spending.

I’ll bet you can guess what’s coming next.

For the fact is that we are in a liquidity trap right now: Fed policy has lost most of its traction. It’s true that Ben Bernanke hasn’t yet reduced interest rates all the way to zero, as the Japanese did in the 1990s. But it’s hard to believe that cutting the federal funds rate from 1 percent to nothing would have much positive effect on the economy. In particular, the financial crisis has made Fed policy largely irrelevant for much of the private sector: The Fed has been steadily cutting away, yet mortgage rates and the interest rates many businesses pay are higher than they were early this year.

The capitulation of the American consumer, then, is coming at a particularly bad time. But it’s no use whining. What we need is a policy response.

The ongoing efforts to bail out the financial system, even if they work, won’t do more than slightly mitigate the problem. Maybe some consumers will be able to keep their credit cards, but as we’ve seen, Americans were overextended even before banks started cutting them off.

No, what the economy needs now is something to take the place of retrenching consumers. That means a major fiscal stimulus. And this time the stimulus should take the form of actual government spending rather than rebate checks that consumers probably wouldn’t spend.

Let’s hope, then, that Congress gets to work on a package to rescue the economy as soon as the election is behind us. And let’s also hope that the lame-duck Bush administration doesn’t get in the way.

Confiança do consumidor nos EUA cai ao menor nível em 41 anos

Folha Online

28/10/200812h23

Confiança do consumidor nos EUA cai ao menor nível em 41 anos
da Folha Online
da Associated Press

A confiança do consumidor nos Estados Unidos caiu em outubro para o menor nível em 41 anos, com o mercado de ações em turbulência e as empresas dando início a demissões de empregados.

O Conference Bord informou nesta terça-feira que o índice de confiança do consumidor caiu para 38 pontos, abaixo do dado revisado de setembro, de 61,4 pontos, e da projeção dos analistas de 52 pontos para o indicador.

Este é nível mais baixo para o índice desde que o Conference Board começou a medir a confiança do consumidor em 1967 e o terceiro maior salto da história.

“Os consumidores estão extremamente pessimistas”, disse Lynn Franco, diretor do Conference Board para o índice de Confiança do Consumidor. “Esta notícia não é boa para o varejo que estava se revitalizando para ter uma temporada de festas de fim de ano mais estimulante”, disse.

Os 23,4 pontos percentuais de queda no índice entre setembro e outubro é a maior diferença desde o recuo de 36,9 pontos entre outubro de 1973 para dezembro, quando a economia lutava contra uma recessão. Então, o índice passou a ser medido a cada dois meses. O índice retrocedeu 24,3 pontos em dezembro de 1969 para fevereiro de 1970.

A Universidade de Michigan já tinha apontado queda recorde da confiança do consumidor no EUA em outubro com o agravamento da crise financeira no país. Segundo divulgou a instituição no dia 17 deste mês, o índice caiu para 57,5 pontos na leitura preliminar de outubro, ante taxa de 70,3 pontos registrada em setembro, quando o índice registrou alta inesperada. A expectativa de analistas ouvidos pela agência Reuters era de 65,5.

Com a queda, o índice ficou no menor patamar desde junho. O indicador da Universidade de Michigan começou a ser divulgado em 1952, e até hoje, o nível mais baixo tinha sido alcançado em maio de 1980, com 51,7 pontos.

Cresce o número de despejos nos EUA

São Paulo, terça-feira, 28 de outubro de 2008

Cresce o número de despejos nos EUA

De julho a setembro, 765 mil casas foram tomadas por bancos por falta de pagamento, mas venda de casa nova sobe 2,7%

Bolsa de NY abre dia em alta com dado sobre casas novas, mas termina em queda de 2,4% com sinais crescentes de recessão

FERNANDO CANZIAN
ENVIADO ESPECIAL A WASHINGTON

Estopim da crise financeira global, o mercado imobiliário nos EUA ainda dá sinais de que não atingiu o fundo do poço. No trimestre de julho a setembro, um recorde de 765.558 casas foram tomadas por bancos falta de pagamento de antigos compradores -71% mais do que em igual período em 2007.
Desse total, mais de 10% (79.511) estão na Califórnia, onde a crise no setor começou mais de um ano antes de se alastrar pelo restante do país.
O aumento sobre 2007 na Califórnia foi de 273%. E é um indicativo do que ainda pode ocorrer em outros Estados -como Flórida, Arizona, Colorado, Michigan e Nova Jersey, que também viveram “boom” no setor imobiliário.
Já o Departamento de Comércio anunciou alta de 2,7% na venda de novas casas nos EUA em setembro, o que chegou a animar um pouco os mercados financeiros. Mas a Bolsa de Nova York acabou em baixa (de 2,42% no índice Dow Jones e de 2,97% no S&P 500), em outro dia de fortes oscilações.
O problema é que as vendas de casas foram impulsionadas por um recorde de queda nos preços, refletindo a grande oferta -principalmente de imóveis retomados pelos bancos por inadimplência.
Devido à grande oferta atual, o preço médio de imóveis novos à venda caiu em setembro para US$ 211,6 mil, o mais baixo desde setembro de 2004, quando o mercado já vivia o início do boom que iria até 2007.
Com os preços em queda livre, o estoque de casas novas à venda caiu 7,3% de agosto a setembro (para 394 mil). Mas ele é substancialmente maior se computados os imóveis mais antigos e que agora estão sendo retomados pelos bancos.
Boa parte das vendas de setembro também ocorreram antes da queda do Lehman Brothers e do agravamento da crise, que pode ter voltado a deprimir o mercado em outubro.
Para muitos analistas, enquanto os preços das casas estiverem em queda nos EUA, o mercado financeiro americano não se estabilizará.
Isso porque muitos mutuários que pegaram empréstimos para comprar as casas têm hoje dívidas maiores que os preços dos imóveis. Outros que deram os imóveis como garantia para empréstimos no momento de alta dos preços também têm hoje dívidas muito maiores que o seu patrimônio.

Entre as várias medidas de resgate ao setor financeiro, começa a amadurecer agora a idéia de um plano para salvar os mutuários inadimplentes.
Em depoimento no Congresso na semana passada, Sheila Bair, chefe do FDIC, entidade do governo que garante depósitos bancários, insistiu na adoção de alguma medida para ajudar mutuários a manter seus imóveis, idéia que tem apoio de muitos congressistas.

Oscilação
O índice Dow Jones da Bolsa de Valores de Nova York chegou a ensaiar pela manhã alta de quase 2%, embalado pelo aumento nas vendas de novas residências nos EUA e pela notícia de melhora da liquidez no mercado de crédito entre bancos e empresas. Mas os temores de forte recessão dominaram a tarde, derrubando a Bolsa.
Fora dos EUA, os mercados também encerraram a segunda com quedas expressivas.
As maiores perdas do dia nos EUA ficaram concentradas na bolsa Nasdaq, onde são negociadas ações de empresas de tecnologia.
O índice sofreu baixa de 3,18%, afetado por notícias de que as próprias empresas fabricantes de produtos eletrônicos têm sido obrigadas a financiar suas vendas nas lojas aos compradores finais, já que o comércio estaria com dificuldade para fazê-lo.
O melhor momento do dia para os mercados na manhã de ontem foi reforçado com o anúncio, pelo Tesouro dos EUA, de que vários outros bancos regionais (e menores) começarão a receber quase US$ 40 bilhões em injeções de capital como parte do plano de US$ 700 bilhões para resgate do setor financeiro.
As ações de vários desses bancos tiveram fortes altas, entre 6% e 15%, ao longo do dia.
Mas a expectativa de uma recessão não abandonou o mercado. Segundo pesquisa feita pela agência Bloomberg, investidores esperam uma queda de 0,5% no PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA no trimestre terminado em setembro. O dado oficial será divulgado pelo Departamento do Comércio na quinta-feira.
O mercado também aguarda para depois de amanhã a reunião do Conselho de Política Monetária do Fed (o banco central dos EUA). Já há investidores apostando em um corte de até 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros no país, hoje em 1,5% ao ano.

Coréia corta juros; Bolsa de Tóquio volta a níveis de 1982

São Paulo, terça-feira, 28 de outubro de 2008

Coréia corta juros; Bolsa de Tóquio volta a níveis de 1982

Alta da moeda japonesa é alvo de preocupação do G7

RAUL JUSTE LORES
DE PEQUIM

A Bolsa de Tóquio atingiu o menor nível em 26 anos e a de Hong Kong caiu 12,7%, a maior queda desde 1997. As duas maiores Bolsas asiáticas refletem o pessimismo na região quanto aos sinais mais claros de recessão mundial. No contra-ataque, ontem o banco central da Coréia do Sul baixou sua taxa de juros de 5% para 4,25%.
As ações japonesas caíram pelo medo de que os bancos locais precisarão de mais capital e de que o fortalecido iene deixará ainda mais difíceis as exportações do país.
A valorização do iene -uma das raras moedas que sobem ante o dólar- é fruto da busca dos investidores por ativos mais seguros e especialmente pelo fim do “carry trade”.
Na última década, os investidores se aproveitaram dos juros baixos no Japão para pegar dinheiro emprestado em iene e investi-lo em outros mercados, especialmente nos emergentes. Com a crise, bilhões de ienes estão retornando ao Japão, valorizando a moeda local -ela subiu na semana passada mais de 10% em relação ao dólar e 34% em relação ao euro.
O fortalecimento da moeda japonesa se tornou preocupação dos países do G7 (as economias mais ricas do mundo), que disseram, em nota, estar apreensivos com a “excessiva volatilidade” do iene e as “suas possíveis implicações adversas para a economia e a estabilidade financeira”.
O índice Nikkei, o mais importante da Bolsa de Tóquio, caiu 6,36% – em quatro pregões, a queda foi de 23,03%. A moeda japonesa foi negociada ontem a 92,86 ienes por dólar.
Na Coréia do Sul, o banco central do país diminuiu ontem sua taxa de juros de 5% para 4,25% em uma reunião de emergência. O governo disse que o corte pretende estimular o consumo. Há o temor de que a quarta maior economia asiática entre em recessão.
A moeda coreana, o won, se desvalorizou em 35% neste ano em relação ao dólar.

China
“Os fundamentos da economia chinesa continuam sólidos e o país pode lidar com os desafios colocados por uma crise financeira global”, afirmou o presidente do BC chinês, Zhou Xiaochuan, em encontro com deputados anteontem.
Após uma série de comentários otimistas -”nossas instituições financeiras são fortes, a liquidez no mercado como um todo é ampla e o nosso sistema financeiro é estável”-, Zhou pediu aos deputados que “não subestimem o impacto da crise financeira global na China”.
É uma forte mudança depois de semanas em que as autoridades locais e a imprensa oficial insistiram que o impacto da crise seria “modesto” no país.
A longo prazo, porém, Zhou repetiu o otimismo do alto escalão do Partido Comunista. “A urbanização contínua e a nossa industrialização, que geram uma demanda de investimentos enorme, assim como um mercado doméstico enorme e mão-de-obra barata, apontam que não desviaremos do caminho de avanço econômico.”
Mas um estudo do banco Standard Chartered diz que o gasto público, que deve aumentar, segundo o governo chinês, para reanimar a economia, não substitui a desaceleração de várias áreas.
No ano passado, apenas 14% dos gastos foram governamentais, respondendo por 1,5 ponto percentual dos 11,9% que o PIB cresceu. O maior peso foi justamente das áreas que se retraem no país -investimento respondeu por 4,6 pontos percentuais e consumo por 3,2 pontos percentuais.

Setor de construção civil teve maior perda na Bovespa

São Paulo, segunda-feira, 27 de outubro de 2008


GUILHERME BARROS – guilherme.barros@uol.com.br

Setor de construção civil teve maior perda na Bovespa

De todos os setores da economia, o mais atingido na Bolsa brasileira pela crise financeira global foi o de construção civil. O valor de mercado das 30 companhias listadas na Bovespa caiu 72,3% neste ano até a última sexta-feira.
No início deste ano, as 30 empresas somadas valiam R$ 53,1 bilhões na Bovespa. Na sexta-feira passada, o valor dessas companhias encolheu para R$ 14,7 bilhões. Nada menos do que um volume de R$ 38,3 bilhões evaporou.
O segundo setor mais atingido foi o de papel e celulose, que teve uma queda de 67,7% no valor das companhias. Em terceiro, eletroeletrônicos (-61,8%). Todos os setores registraram quedas significativas.
As perdas foram expressivas. O valor total das empresas listadas na Bolsa caiu pela metade: de R$ 2 trilhões para R$ 1 trilhão. Só o setor de petróleo e gás perdeu R$ 231,9 bilhões, influenciado pela Petrobras. Os bancos encolheram R$ 223 bilhões, e o setor de mineração (leia-se Vale), R$ 160 bilhões. Foram esses os três segmentos com maior volume de perdas na Bolsa brasileira.
Todos esses números, que foram levantados pela Economática, indicam as razões para o governo se mostrar tão preocupado com o setor da construção civil. O pacote divulgado na semana passada autoriza a Caixa Econômica Federal a adquirir participações em empresas de construção que estejam em dificuldades.
Segundo Fernando Excel, presidente da Economática, essa queda no valor de mercado no setor de construção se deve, claro, à crise global, mas, não deixa de refletir também os exageros nos IPOs (sigla em inglês para oferta inicial de ações) das construtoras. Os investidores imaginaram que o crédito imobiliário no país, que gira em torno de 2% do PIB (Produto Interno Bruto), iria quintuplicar de tamanho de uma hora para outra.
“Foi uma alucinação o que aconteceu com a construção”, afirma Excel.
Das 30 empresas na Bolsa, a que mais caiu foi a Inpar, com queda de 93,5% no seu valor de mercado. Em seguida, Abyara (-92,8%), Agra (-90,7%) e Tenda (-88,6%).
O governo tem duas preocupações básicas em relação ao setor de construção. A primeira é a de as empresas não terem recursos suficientes para concluírem os imóveis já comprados na planta. A outra diz respeito à manutenção do emprego no setor.
Há poucos dias, o governo anunciou que irá criar uma linha de capital de giro de R$ 4 bilhões para aliviar o setor. A dúvida é se esse dinheiro será suficiente.

Parte dos EUA já está em recessão, diz Casa Branca

São Paulo, segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Parte dos EUA já está em recessão, diz Casa Branca

Conselheiro econômico de Bush afirma que crédito vai demorar a descongelar

Funcionário afirma que proposta de pacote da oposição democrata não terá efeitos significativos na economia no curto prazo

DA ASSOCIATED PRESS

Um dos principais assessores econômicos do presidente George W. Bush declarou ontem que partes dos EUA provavelmente já estão passando por uma recessão e que poderá levar alguns meses para o sistema de crédito paralisado começar a funcionar outra vez. “Em algumas partes do país estamos observando algo que acho que qualquer pessoa definiria como recessão”, disse Edward Lazear, o presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca.
Muitos analistas prevêem uma contração da economia nos últimos três meses deste ano e nos primeiros 90 dias de 2009. Isso corresponderia à definição clássica de recessão: dois trimestres consecutivos de contração econômica. Alguns analistas econômicos dizem que a economia desaquecida já se encontra em recessão.
A Casa Branca vem evitando empregar esse termo, tanto porque a situação atual ainda não se enquadra na definição técnica de recessão quanto pelo fato de o termo ter uma conotação tão fortemente negativa.
Em entrevista à CNN, o presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca observou que o índice nacional de desemprego está em 6,1%, que é o maior em cinco anos. Lazear afirmou que o desemprego é ainda maior em algumas regiões do país, como no Estado da Califórnia. A última vez em que os EUA entraram em recessão foi em 2001, e a última contração econômica ocorreu no quarto trimestre do ano passado, quando o PIB recuou 0,2%. Os dados do PIB americano do terceiro trimestre serão divulgados no final deste mês. No período de abril a junho, a principal economia mundial avançou 2,8% na taxa anualizada, ajudada especialmente pelas exportações, que se aproveitaram da desvalorização do dólar ante as principais moedas mundiais.
A Casa Branca e o Congresso esperam que o pacote de resgate de US$ 700 bilhões injete dinheiro e confiança no setor de crédito, estimulando a economia. Bush já disse repetidas vezes que o degelo das linhas de crédito levará algum tempo.
Lazear fez uma previsão um pouco mais precisa, dizendo que “serão necessários alguns meses antes de vermos um impacto significativo”.
“Mas já vimos alguns impactos”, disse ele. “O que estamos testemunhando é que agora os bancos estão se dispondo a conceder empréstimos uns aos outros. Esse é um ponto positivo enorme para a economia, porque o grande problema vinha sendo a pouca disposição dos bancos em conceder empréstimos entre eles.”
Congressistas democratas, de oposição ao governo Bush, pretendem aprovar um pacote de estímulo pós-eleição (marcado para 4 de novembro) que pode custar até US$ 150 bilhões. Lazear disse que algumas das idéias que vêm sendo aventadas, como projetos de construção de rodovias e pontes, são muito demoradas e focadas em apenas um setor para poder injetar ânimo na economia como um todo.
“Essas propostas podem ser boas idéias. Isso é algo que caberá ao Congresso decidir”, disse ele. “Mas não podemos encarar isso como estímulo que fará a economia dar a volta por cima no curto prazo.”

EUA vai apertar regras para derivativos

São Paulo, segunda-feira, 20 de outubro de 2008

País vai apertar regras para derivativos

Um dos pivôs da crise, mercado atingiu a cifra de US$ 596 trilhões em 2007, mais de dez vezes o PIB mundial

FERNANDO RODRIGUES
ENVIADO ESPECIAL A NOVA YORK

O Congresso dos EUA se prepara para adotar medidas regulatórias para o mercado de derivativos, considerado o maior responsável pela atual derrocada do sistema financeiro nos países desenvolvidos. Nas últimas semanas, mesmo em recesso branco por causa do processo eleitoral em curso no país, congressistas tiveram algumas sessões em comissões para discutir o assunto.
O diretor-executivo da ISDA (Associação Internacional de Trocas e Derivativos, na sigla em inglês), Robert Pickel, foi ouvido em Washington na última terça-feira para explicar como funciona o seu mercado. “Há um desejo de fazer mais regras, sobretudo no que diz respeito a haver estatísticas mais agregadas sobre derivativos. Hoje, existem esses dados, mas estão espalhados de diversas formas”, disse ele em entrevista à Folha no escritório central da entidade, em Nova York.
Na realidade, é mais do que isso. Ninguém conhece o valor exato de derivativos voando pelo mercado. Até porque, na imensa maioria dos casos, trata-se de um contrato privado entre duas partes. Um exemplo sobre como há controvérsia são as estatísticas divulgadas pela ISDA e pelo BIS (Banco para Compensações Internacionais), organização internacional que centraliza dados financeiros mundiais para todos os bancos centrais.
Nas tabelas do ISDA, o valor de contratos derivativos em dezembro do ano passado era de US$ 454,5 trilhões. Já nas estatísticas do BIS, o valor era de US$ 596 trilhões. A assessoria da ISDA afirma que há duas razões para a diferença.
A primeira é que a coleta de dados é realizada de maneira distinta. O BIS recebe os números dos órgãos oficiais dos países. Já a ISDA obtém as informações de seus associados, os que emitem os derivativos. A outra origem da discrepância é o fato de o BIS ter condições de incluir em sua estatística um universo maior de títulos.
Há dois anos, o total de derivativos divulgado pelo BIS era de US$ 297,7 trilhões. Os US$ 596 trilhões de dezembro passado demonstram que o valor duplicou em apenas 24 meses.
Nas recentes audiências no Congresso dos EUA, o ponto sempre ressaltado foi a falta de transparência nesse mercado. Como explica o representante do setor, a dificuldade é encontrar uma fórmula para aumentar a transparência e não destruir um dos pilares do negócio: o segredo das operações.
“Haverá um problema a ser resolvido, pois muitas vezes os que fazem esses contratos não querem dar publicidade por se tratar de um instrumento particular de proteção. Se o concorrente sabe o tipo de contrato, é ruim para quem está querendo se proteger”, afirma Pickel, diretor da ISDA.
As novas regras, se vierem mesmo, terão de ser aprovadas pelo Congresso. O mais provável é que isso só aconteça em meados do ano que vem.
Se poucas pessoas entendem como funciona o mercado de ações, muito menos investidores comuns têm idéia do que se trata o derivativo. A explicação mais simples é que são contratos realizados por empresas, financeiras ou não, que desejam comprar uma proteção para seus investimentos ou rendimentos futuros.
O total altíssimo de derivativos tem uma razão: os números “derivam” dos contratos que estão sendo protegidos. Por exemplo, de um contrato de exportação de automóveis podem derivar vários outros instrumentos de proteção: um derivativo para garantir que o câmbio não será muito alto; outro para o caso de queda; um terceiro para proteção contra um calote. E assim vai.
Na estatística geral do setor, entretanto, cada vez que um derivativo nasce, o valor lançado é o total do contrato que está sendo protegido. Daí a cifra geral parecer irreal. Há até um jargão no mercado para os US$ 596 trilhões de derivativos no mundo. Esse é o valor “nocional de referência”, ou seja, é apenas uma noção.
Não poderia ser de outra forma, pois os US$ 596 trilhões nem sequer existem. O valor total dos ativos financeiros no mundo, segundo o McKinsey Global Institute, é de US$ 167 trilhões. Ou seja, todos os depósitos bancários, as ações e os títulos somados são menos de um terço dos derivativos.
Outra comparação é com o tamanho dos países. O PIB (soma de todas as riquezas produzidas) dos EUA é de US$ 13,8 trilhões. O PIB mundial é de US$ 54,3 trilhões. A indústria de derivativos conseguiu fazer contratos que equivalem a mais de dez PIBs do planeta Terra.
A realidade de um derivativo só se consubstancia em catástrofes ou momentos de pânico, com várias instituições em cadeia sofrendo prejuízos e cobrando o que está escrito nos contratos de proteção. Mas ninguém mais está protegido. Esta é a situação atual.
Outra forma de entender o funcionamento dos derivativos é observar o valor bruto de mercado desses papéis. Segundo o BIS, em dezembro de 2007, ele era de US$ 14,5 trilhões -ou seja, um pouco mais do que o PIB dos EUA.
Esse valor bruto é de fato o quanto cada parte espera pagar ou receber por um derivativo. Por exemplo, uma empresa exportadora faz um derivativo sobre uma venda de US$ 10 milhões estimando que a taxa de câmbio fique em, no máximo, R$ 2 por dólar. Ou seja, receberá pelo seu produto R$ 20 milhões. Se o dólar disparar, a diferença acima da cotação de R$ 2 será debitada da empresa que apostou nesse valor.
Na crise dos EUA, os títulos mais problemáticos foram os derivativos de crédito, ou CDS (credit default swaps). Como o mercado imobiliário ficou aquecido durante vários anos, as instituições bancárias baixaram os padrões de concessão de financiamentos para a compra de imóveis. Esses empréstimos sem as devidas garantias são chamados “subprime”.
As carteiras dos bancos com “subprime” eram em seguida atreladas a CDS, os derivativos de crédito. A instituição financeira empacotava esses títulos e os repassava para outros bancos interessados em comprar o risco. A cadeia era retroalimentada pelo próprio sistema, pois um CDS poderia ir passando de banco em banco, indefinidamente, com um novo derivativo nascendo a cada operação.
Um exemplo de como o mercado se descontrolou nesta década está na explosão do valor “nocional” dos CDS. Em 2003, o ano começou com US$ 2,2 trilhões. Em junho passado, a cifra já estava em US$ 54,6 trilhões. Agora, a bolha estourou.

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