Blog de Christy Ganzert Pato
Diálogos em terra arrasadaArquivo paraEspeculação Financeira
Após fortes perdas com turbulência, GWI fecha fundo de ações
08/10/2008 – 16h35
Após fortes perdas com turbulência, GWI fecha fundo de ações
Segundo o comunicado, o Fundo será fechado a partir desta data para realização de aplicações e resgates. Além disso, foi convocada assembléia de cotistas para o dia 23 deste mês. No encontro os investidores irão decidir pela substituição da administradora, do gestor ou de ambos; reabertura ou manutenção do fechamento do fundo para resgates; e possibilidade do pagamento de resgates em títulos ou valores mobiliários, ou seja, poderá ser encerrado.
Gerenciado pela GWI Asset Management, gestora do coreano Mu Hak You, o desempenho tão abaixo do referencial chama a atenção, já que a carteira sempre apresentou ganhos muito acima do Ibovespa, o que lhe rendeu vários prêmios sobre gestão. Para se ter idéia, em maio, após o Brasil ser considerado grau de investimento e o Ibovespa atingir a marca histórica de 73.516 pontos, o fundo chegou a ter retorno acumulado de 777% desde o lançamento.
O fundo sempre fez muita operação a termo – contratos que estabelecem que um ativo será comprado no futuro por um preço fixado no presente. Para isso, dá como garantia uma parte do valor, que pode ser em ações da carteira. Como o mercado piorou, as operações que haviam sido realizadas no mercado a termo trouxeram fortes prejuízos ao fundo.
Empresas mudam posição e elevam alta do dólar no país
São Paulo, quarta-feira, 08 de outubro de 2008 
Empresas mudam posição e elevam alta do dólar no país
Corrida ao mercado de câmbio impulsiona moeda
GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA
DENYSE GODOY
DA REPORTAGEM LOCAL
Além da crise de crédito e da fuga de recursos para investimentos de menor risco, a alta do dólar, no Brasil, que já chega a cerca de 50% desde agosto, tem um componente adicional.
Muitas empresas que fizeram aposta de alto risco na manutenção do dólar numa faixa de R$ 1,60 a R$ 1,70 até o final do ano em operações complexas de câmbio estão desmontando suas posições abruptamente e, para isso, compram dólar de forma alucinada.
É essa a razão que fez o dólar subir ontem 5,14% e atingir R$ 2,311 -maior valor desde 31 de maio de 2006-, apesar das vendas da moeda realizadas pelo Banco Central.
A equipe econômica, incluindo o BC, já foi informada desse movimento e nada pode fazer. São operações legais e sigilosas. Só os bancos e as empresas que realizaram a operação podem tornar as informações transparentes.
Os rumores do mercado são que o total dessas operações pode ter atingido R$ 40 bilhões. Para muitos especialistas, depois da conclusão dessas operações de desmonte, o dólar deve recuar.
A duas únicas operações que vieram a público foram da Aracruz e da Sadia. As perdas da Aracruz somaram R$ 1,9 bilhão, e as da Sadia, R$ 750 milhões. As informações do mercado são que muitas outras empresas e fundos de investimento fizeram essas mesmas operações e agora se desfazem delas para evitar um prejuízo maior se o dólar subir mais.
Complexas e sofisticadas, essas operações de derivativos proporcionaram lucros enormes às empresas e continuariam a possibilitá-los, caso a crise não tivesse alterado o rumo dos acontecimentos. Nenhuma instituição previa que o dólar fosse romper a barreira de R$ 1,90, muito menos que chegasse a R$ 2,30.
Apesar de complexas, as operações tinham mais ou menos o seguinte formato: as empresas ou fundos apostaram que o dólar não iria passar de R$ 1,90 neste ano. Elas venderam para os bancos opções de compra de dólar fixando este limite para o dólar. Quando as empresas fizeram essas operações, a cotação da moeda americana estava em cerca de R$ 1,60.
Essas operações foram registradas na BM&F, na Cetip e em mercados de balcão fora do Brasil (“offshore”). A pergunta que se faz é: se ninguém apostava na alta do dólar, por que alguns bancos aceitavam comprar essas opções de alto risco dessas empresas?
A resposta é que os bancos compravam esses títulos e os lançavam contabilmente no chamado Livro de Volatilidade, de operações de altíssimo risco, e ao mesmo tempo faziam o chamado “hedge” (proteção) para se protegerem de eventuais perdas. Ou seja, o banco não perdia com a operação e poderia ganhar muito caso o dólar ultrapassasse a barreira de R$ 1,90, como aconteceu.
Muitas dessas operações de alto risco foram casadas com algum tipo de empréstimo contraído num banco ou num fundo de investimento. As instituições ofereciam ao mesmo tempo empréstimos a juros favorecidos caso as empresas aceitassem fazer essas opções derivativas de venda de dólar a futuro. O mercado apelidou essas operações casadas de “tarn” -”lago nas montanhas”, em inglês.
Com a alta do dólar, as empresas, agora, estão correndo para desfazer suas posições no mercado de câmbio, apesar de as opções não terem vencido ainda. O problema é que, quanto mais sobe o dólar, maiores são as perdas das empresas. Por isso, as empresas estão comprando dólar para zerar suas posições, como se diz no jargão do mercado financeiro.
Essas operações chegaram a ser estudadas por alguns grandes bancos, mas eles preferiram não fazê-las. Foram consideradas de risco muito elevado.
Contra a parede
Ontem, o BC voltou a realizar um leilão de contratos de “swap” cambial, oferecendo aos bancos papéis que pagam a variação do câmbio em determinado período. Em troca, o BC recebe juros. No entanto, de novo, foi efetivamente negociado um volume inferior ao ofertado pelo BC: US$ 1,359 bilhão, contra US$ 2,3 bilhões.
Segundo a Folha apurou, muitos bancos estão pedindo taxas altas demais pelos contratos e acabam não os adquirindo porque o BC não concorda em vender nas suas condições. Essa estratégia limita o sucesso da intervenção. Assim, as instituições financeiras esperam forçar o BC a vender moeda no mercado à vista.
Fundo GWI FIA: jogatina arriscada
São Paulo, terça-feira, 23 de setembro de 2008 
Bolsa chama corretoras para discutir risco
Reunião aconteceu após o fundo GWI FIA ter tido problema para cumprir pagamento de garantias na Bolsa paulista
Fundos e corretoras tomaram prejuízo duplo ao apostar na queda da Bolsa e na recuperação do preço de ações de empresas médias
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
A BM&FBovespa chamou algumas entidades do mercado para discutir o risco crescente assumido por alguns fundos de investimento e por corretoras independentes, não ligadas a grandes bancos, em meio à forte volatilidade na última semana. Vários desses fundos e corretoras estavam fazendo posições muito alavancadas, seja com dinheiro emprestado, seja com a possibilidade de que eventuais perdas pudessem superar seu patrimônio.
A estratégia desses investidores contrastava com a opção conservadora da maioria dos gestores dos fundos de hedge brasileiros -os multimercados-, que desde agosto priorizam o investimento em títulos pós-fixados e adotaram estratégias para travar perdas.
A reunião aconteceu na quinta-feira, após as perdas de fundos como o GWI FIA, entre outros, que chegou a levar um tombo de mais de 30% em sua cota na véspera. Até a sexta-feira, o fundo tinha perdas acumuladas de 41,18% no mês e de 50,12% no ano.
Esses fundos e suas corretoras teriam tomado prejuízos por conta de duas apostas corriqueiras nos últimos meses, mas que na semana passada se mostraram equivocadas.
Uma das apostas era que as ações de pequenas e médias empresas tinham atingido um preço tão baixo que poderiam ter alguma recuperação nos próximos dias. Por outro lado, como havia uma grande chance dessa hipótese de recuperação não se comprovar, esses mesmos fundos também apostavam na queda da Bolsa.
Por essa estratégia, o equilíbrio entre os dois cenários -recuperação ou aprofundamento da crise- possibilitaria algum ganho, mas limitaria perdas potenciais desses fundos.
Só que a recuperação do mercado na quinta, com a perspectiva de resgate do governo dos EUA aos títulos podres, teve um efeito surpresa: elevou o Ibovespa, rapidamente, mas não recuperou o valor das ações das empresas médias e pequenas.
O resultado foi o pior cenário para esses fundos: perderam tanto na aposta de alta das ações quanto na possibilidade de queda da Bolsa -por isso, as perdas ficaram acima do mercado. Gerido pela GWI Asset, uma gestora independente com sócios sul-coreanos, o fundo GWI FIA teria tido problemas até para depositar margens de garantia que evitam perdas maiores e para emprestar dinheiro de bancos para liquidar suas posições na Bolsa.
Para solucionar o problema, o fundo teve de vender um grande lote de ações da Usiminas, entre outros papéis, que tinha em carteira. O problema foi solucionado na sexta, quando o fundo registrou um ganho de 47,34% -o Ibovespa subiu 9,57% no mesmo dia.
O fundo tem capital de R$ 160,09 milhões e só admite investidores qualificados, com capital mínimo de R$ 250 mil e que estejam dispostos a esperar por um período de dois anos para fazer saques.
Procurados pela Folha, a BMF Bovespa afirmou que não comenta assuntos ligados à liquidação de contratos. A GWI Asset e o Mellon BNY, administrador do fundo GWI, preferiram não se manifestar sobre o problema na Bolsa.

