Blog de Christy Ganzert Pato
Diálogos em terra arrasadaArquivo paraHPE – História do Pensamento Econômico
Mankiw não sabe quem criou a curva de demanda
Há tempos que fiquei de postar essa história. Há uns 2 anos, um aluno meu insistiu para que eu desse uma olhada no blog do Gregory Mankiw, professor de Harvard, famoso no Brasil por ter se tornado o manual de economia hegemônico nos cursos de introdução, desbancando um longo reinado dos manuais do velho Samuelson.
Pois bem, me dei esse trabalho. À época, busquei no google e, logo de cara, vejo o Prof. Mankiw respondendo a uma pergunta sobre quem criou os gráficos de oferta e demanda. Para meu espanto, o respeitado (sic) Mankiw começa sua resposta falando “segundo a wikipedia”!!!
A resposta inesperada para um professor de Harvard continua lá:
http://gregmankiw.blogspot.com/2006/09/who-invented-supply-and-demand.html
E o cara tem a pachorra de se justificar dizendo “não sou historiador do pensamento econômico”.
Por essas e outras que eu não uso manual…
Em tempo: ainda que a formalização pioneira tenha sido feita por Antoine-Augustin Cournot, em 1838, e, de forma independente, por Karl Rau, Jules Dupuit, Hans von Mangoldt e Fleeming Jenking nas décadas posteriores, o conceito, ainda que não formalizado, já está presente em diversos autores dos séculos XVI e XVII. Desde Jean Bodin (1530-1596) e Gerard Malynes (1586-1641) é comum encontrar frases como “as mercadorias são caras ou baratas, de acordo com sua escassez ou excesso”.
A Economia Monetária de Richard Cantillon
O artigo, escrito por João Machado Borges Neto e André Roncaglia de Carvalho, busca discutir o sentido fundamental das idéias monetárias de Richard Cantillon. É de amplo conhecimento a contribuição que esse autor ofereceu à ciência econômica quando, no século XVIII, esta ainda dava os seus primeiros passos. Apesar de distante no tempo, o arcabouço analítico do autor proporciona reflexões importantes acerca dos fenômenos monetários contemporâneos. Um dos elementos mais significativos de sua abordagem é a diretriz teórica de que se deve levar em consideração o ponto de injeção da moeda na economia para que se possa obter uma compreensão minimamente adequada a respeito da relação entre os chamados lados monetário e real da economia. Cantillon já fazia, então, uma crítica ao ainda incipiente postulado quantitativista, o qual estabelecia uma relação de proporcionalidade entre moeda e preços. Como conseqüência de sua análise, fica claro que o aumento da quantidade de moeda gera efeitos reais duradouros na economia.