Blog de Christy Ganzert Pato

Diálogos em terra arrasada

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Desemprego ameaça estabilidade global

São Paulo, segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Desemprego ameaça estabilidade global

Onda de demissões avança pelo mundo, e agência da ONU diz que 50 milhões de empregos podem ser perdidos

DO “NEW YORK TIMES”

Desde advogados em Paris até operários de fábricas na China e seguranças na Colômbia, as fileiras dos desempregados estão inchando rapidamente em todo o mundo.
As perdas de empregos decorrentes da recessão que começou nos Estados Unidos em dezembro de 2007 podem chegar a estarrecedores 50 milhões até o final deste ano, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), uma agência das Nações Unidas. A recessão já levou à perda de 3,6 milhões de empregos nos Estados Unidos.
Os altos índices de desemprego, especialmente entre trabalhadores mais jovens, já levaram a protestos em países tão diversos quanto Letônia, Chile, Grécia, Bulgária e Islândia e contribuíram para greves no Reino Unido e na França.
No mês passado o governo da Islândia, país cuja economia está prevista para se contrair em 10% neste ano, caiu, e o primeiro-ministro adiantou as eleições nacionais, após semanas de protestos enfurecidos.
Na semana passada, o novo diretor de inteligência nacional dos Estados Unidos, Dennis C. Blair, afirmou ao Congresso que a instabilidade causada pela crise econômica global já é a maior ameaça à segurança norte-americana, passando o terrorismo.
“Quase todo o mundo foi pego de surpresa com a rapidez com que o desemprego vem crescendo, e quase todos estão sem saber como reagir”, disse Nicolas Véron, do centro de pesquisas Bruegel, em Bruxelas, na Bélgica.
Em economias emergentes como as da Europa Oriental, teme-se que o desemprego crescente possa incentivar um afastamento da política de livre mercado, pró-ocidental, enquanto, nos países desenvolvidos, o desemprego pode reforçar o protecionismo.
De fato, alguns pacotes de estímulo europeus, além do plano de US$ 787 bilhões aprovado nos Estados Unidos anteontem, incluem proteções para empresas domésticas, elevando a probabilidade de batalhas comerciais protecionistas.
Enquanto o desemprego vem crescendo nos EUA desde o final de 2007, só recentemente as demissões na Europa, na Ásia e no mundo em desenvolvimento ganharam ritmo.
O FMI prevê que até o fim do ano o crescimento econômico global chegue ao nível mais baixo desde a Grande Depressão dos anos 1930, segundo Charles Collyns, vice-diretor do departamento de pesquisas do Fundo. De acordo com o FMI, o crescimento mundial “virtualmente parou”, e a previsão é que as economias desenvolvidas encolham 2% neste ano.
“É a pior situação desde 1929″, disse o ministro do Emprego da França, Laurent Wauquiez. “O que é novo agora é que a situação é global, e estamos sempre falando sobre isso. Está em todos os países.”
Na Ásia, qualquer atitude de satisfação arrogante que possa ter existido por suas economias terem escapado de ser prejudicadas pela dívida de alto risco americana foi apagada pelo desespero crescente gerado pela queda das vendas dos maiores exportadores.
Milhões de trabalhadores migrantes na China continental estão procurando trabalho, mas constatando que as fábricas estão sendo fechadas. Embora essas manifestações não tenham sido tão grandes quanto as da Grécia ou as do Báltico, já houve dezenas de protestos em fábricas individuais na China e na Indonésia.
Os chamados por protecionismo vêm encontrando eco entre um público assustado. No Reino Unido, empregados de refinarias e usinas elétricas fizeram greve em protesto contra o uso de trabalhadores da Itália e de Portugal numa obra.
A expectativa é que até meados do ano que vem o desemprego no Reino Unido chegue a 9,5%, contra 6,3% no momento; na Alemanha, pode subir de 7,8% para 10,5%. Mesmo a Índia estancou. Cerca de 500 mil pessoas perderam seus empregos entre outubro e dezembro do ano passado.

GM vai demitir 10 mil no mundo e reduzir salários

São Paulo, quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

GM vai demitir 10 mil no mundo e reduzir salários

Medida faz parte do plano de reestruturação que será apresentado ao governo americano

Cortes atingem 14% da mão-de-obra da empresa; no Brasil, General Motors disse não ter informação sobre impactos da medida

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A General Motors decidiu cortar 10 mil postos de trabalho na área administrativa ao redor do mundo e impor reduções salariais a parte de seus funcionários nos Estados Unidos no decorrer deste ano.
A medida faz parte do programa de reestruturação da montadora que será apresentado ao governo dos EUA na semana que vem. O plano será decisivo para a GM garantir a continuidade da ajuda bilionária do governo daquele país.
Ao longo de 2009, a montadora deve diminuir de 73 mil para 63 mil seu quadro de funcionários administrativos -um enxugamento de 14%. Já o pagamento de seus executivos nos EUA sofrerá corte de 10%, enquanto outros empregados terão uma redução de 3% a 7% no país. Haverá também revisão de pagamentos e benefícios fora dos Estados Unidos.
A assessoria de imprensa da GM do Brasil disse que ainda não há informações sobre os impactos da medida no país.
“Essas duras ações são necessárias por conta da severa queda nas vendas de veículos no mundo e da necessidade de reestruturação da GM para garantir viabilidade a longo prazo”, afirmou a montadora, por meio de comunicado.
Em janeiro, as vendas da GM caíram 49% nos EUA. Como resultado, os executivos da GM vêm afirmando que a companhia fará um corte de custos mais profundo sob o plano de reestruturação que será submetido ao governo dos EUA e que poderá garantir mais empréstimos dentro do pacote de socorro às montadoras.

Detalhes
Na semana passada, a GM abriu um programa de demissão voluntária e ofereceu aposentadoria antecipada a seus trabalhadores horistas. Há três meses, a montadora eliminou 5.100 postos também por meio de demissão voluntária.
Desta vez, porém, o corte se dá por meio de dispensas involuntárias. “Pode ser que haja oportunidades para saídas voluntárias, mas [as demissões] são essencialmente involuntárias”, afirmou o porta-voz da GM, Tom Wilkinson.
Nos EUA, serão fechados 3.400 dos 29.500 cargos administrativos da GM até maio.
Wilkinson explicou que os cortes não serão lineares, pois estarão baseados nas necessidades de pessoal em cada departamento. A General Motors poderá, por exemplo, contratar mais engenheiros para o desenvolvimento de veículos que são movidos a bateria.
De acordo com ele, alguns países poderão sofrer cortes mais significativos, a depender do comportamento das vendas nesses mercados.

Cronômetro controla pausa para café em empresa italiana

Folha Online


04/10/200811h28

Cronômetro controla pausa para café em empresa italiana

da BBC

A empresa italiana de componentes elétricos e eletrônicos Ducati Energia instalou cronômetros nas máquinas de café de sua sede em Bologna para controlar a pausa no trabalho de seus funcionários.

Segundo o diretor da empresa, Guidalberto Guidi, os funcionários estariam abusando das pausas para o cafezinho. “Nosso ambiente de trabalho estava se transformando em um bar. A missão da nossa empresa não é servir café para os funcionários”, disse.

Depois da instalação, as três máquinas de café espalhadas pela empresa funcionam apenas em três períodos de dez minutos ao longo do dia, além do intervalo do almoço.

Reação

A Ducati emprega 250 funcionários na sede, em Bologna, e outros 700 funcionários no leste-europeu, Índia e Argentina.

Apesar disso, Guidi afirma que os cronômetros foram instalados apenas na fábrica de Bologna, já que apenas na sede italiana os funcionários “abusavam” nas pausas para o café.

“Acho que, se alguém que começa a trabalhar às 8h precisa de tantas pausas para tomar café, deveria trocar de emprego, não é problema meu”, afirmou o diretor.

A decisão deixou alguns dos empregados irritados. Segundo o representante da união dos funcionários da empresa, Paolo Giannasi, já se pensa até em greve. “Estamos muito irritados. Pensamos em fazer greves de 30 minutos”, afirmou.

“O chefe pensa que fechar as máquinas de café vai ajudar na produtividade, mas vários estudos já mostraram que as pausas para o café ajudam as pessoas a ter idéias geniais”, afirmou Giannasi.

A maioria dos trabalhadores da fábrica da Ducati trabalha em turnos e não consegue comparecer aos intervalos para o café estabelecidos pela empresa.

No entanto, Guidi afirmou que não está interessado nas reações dos funcionários. Segundo ele, seus empregados estão satisfeitos com suas condições de trabalho e com o salário.

Os funcionários, em contrapartida, esperam conseguir negociar com o diretor para que as máquinas de café voltem a funcionar normalmente o mais rápido possível.

Trabalhadoras usam fraldas por não poderem ir ao banheiro no Chile

Folha Online

02/05/200723h01

Trabalhadoras usam fraldas por não poderem ir ao banheiro no Chile

da Efe, em Santiago

A Central Unitária de Trabalhadores do Chile denunciou nesta quarta-feira que operadoras de caixa de uma rede de supermercados do país foram obrigadas a usar fraldas por não disporem de pausas para ir ao banheiro.

A acusação foi refutada hoje pela holding chilena Cencosud, ao qual pertencem os estabelecimentos.

A vice-presidente da associação, Maria Rozas, denunciou graves irregularidades trabalhistas nos supermercados Santa Isabel, e assegurou que “as mulheres são obrigadas a trabalhar durante nove horas nos caixas, sem poder se movimentar”.

“Muitas delas precisam usar fraldas descartáveis para agüentar o tempo sem ir ao banheiro”, acrescentou. Rojas convocou os cidadãos de todo o Chile a boicotar a cadeia de supermercados.

A presidente da Comissão do Trabalho da Câmara dos Deputados chilena, Ximena Vidal, ratificou a denúncia, e assinalou que “a Constituição chilena defende todas as pessoas, para que casos como este não ocorram”.

“Realmente, é uma vergonha que essa proteção não seja cumprida”, criticou.

A empresa Cencosud refutou hoje as acusações, e assegurou que “sob nenhuma circunstância” infringe as normas trabalhistas do Chile.

“Nunca recebemos uma reclamação formal falando que as operadoras de caixa dos supermercados Santa Isabel têm que usar fraldas diante da impossibilidade de ir ao banheiro”, assinala o texto.

“As políticas de trabalho dos supermercados Santa Isabel são claras e estritas, respeitando sempre as leis trabalhistas e as horas de descanso estabelecidas pela Lei trabalhista”, acrescenta.