Blog de Christy Ganzert Pato

Diálogos em terra arrasada

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Títulos brasileiros serão aceitos como garantia pelo BC dos EUA

São Paulo, terça-feira, 16 de setembro de 2008

Títulos brasileiros serão aceitos como garantia pelo BC dos EUA

SHEILA D’AMORIM
IURI DANTAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O medo de que a falência do Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimento dos EUA, venha a desencadear uma onda de quebras generalizadas no setor financeiro norte-americano fez o Fed (o banco central norte-americano) diminuir as exigências na concessão de empréstimos para bancos com problemas. Isso permitirá que títulos brasileiros entrem nessa negociação pela primeira vez.
Quem precisar recorrer às linhas de socorro do Fed poderá dar como garantia títulos de menor liquidez e também os que têm o selo de grau de investimento. Até então, o Fed só aceitava como garantia papéis de primeiríssima linha, entre eles os classificados de AAA pelas agências internacionais de risco e os títulos domésticos do mercado hipotecário.
A decisão poderá fazer com que ocorra uma situação inusitada: instituições financeiras norte-americanas poderão pegar dinheiro emprestado com o Fed dando como garantia do pagamento títulos do governo que já são considerados grau de investimento e de empresas brasileiras que tenham o selo.
Os detalhes da decisão do Fed, como o montante desses novos papéis que passarão a ser aceitos, deverão ser anunciados hoje. Inicialmente, sabe-se que as garantias exigidas para uma das linhas de redesconto seguirá o padrão adotado pelas duas maiores instituições custodiantes do mercado.
O JPMorgan e o Bank of New York são tradicionalmente referência nessa área, o que levantou no mercado a possibilidade de que sejam usadas até ações nas negociações de empréstimos com o Fed.
A interpretação do comunicado do BC dos EUA é que ele está preocupado com o impacto que a quebra do Lehman terá em instituições que tinham negócios com os bancos e, sobretudo, com os custodiantes -responsáveis em última instância pela operação- que atuam no mercado e vendiam papéis e operações estruturadas incluindo o banco de investimento.

Brasil já possui 220 mil milionários, diz pesquisa

São Paulo, sexta-feira, 05 de setembro de 2008

Brasil já possui 220 mil milionários, diz pesquisa

Há dois anos, brasileiros com fortuna superior a US$ 1 milhão eram 130 mil

Valor total das fortunas no mundo chega a US$ 109,5 tri, quantia abaixo da esperada devido à crise financeira; brasileiros têm US$ 1,2 tri

JULIO WIZIACK
DA REPORTAGEM LOCAL

O Brasil está entre os países em que o número de milionários mais cresce. Estimativas do BCG (The Boston Consulting) indicam que 220 mil brasileiros detêm, juntos, US$ 1,2 trilhão aplicado no mercado financeiro. Para fazer parte desse time, é preciso ter investido pelo menos US$ 1 milhão. Há dois anos, os brasileiros formavam grupo de 130 mil integrantes com US$ 1,1 trilhão.
No ano passado, o Brasil chamou a atenção dos pesquisadores do BCG, que registraram um acréscimo de 60 mil novos participantes, aumentando a lista nacional de milionários para 190 mil. Por isso, uma equipe do BCG veio ao país especialmente para fazer um levantamento local. O estudo ainda não foi publicado, mas estima-se que os números deverão acompanhar o crescimento registrado nos anos anteriores, em torno de 16%.
Segundo o relatório, divulgado ontem nos Estados Unidos, as fortunas mundiais, incluindo as dos brasileiros, cresceram 3% menos que o esperado devido à crise financeira nos EUA. Mas os números indicam que esses afortunados tornaram-se ainda mais ricos.
A soma de suas riquezas atingiu a marca de US$ 109,5 trilhões, uma alta de 4,9% em relação ao ano passado. Os milionários da América do Norte (EUA e Canadá) lideram essa lista, com US$ 39,2 trilhões; seguidos pela Europa, com US$ 38,3 trilhões; Ásia (considerando o Japão), com US$ 25,6 trilhões; Oriente Médio e África, com US$ 3,4 trilhões; e América Latina, com US$ 3,1 trilhões.
Isoladamente, os EUA são os líderes mundiais, com 4,9 milhões de pessoas com mais de US$ 1 milhão. Desse total, 674 mil têm mais de US$ 5 milhões. Na Ásia, 900 mil japoneses detêm metade da fortuna da região. Desses, 71 mil têm mais de US$ 5 milhões.
Na América Latina, não é diferente. Os brasileiros mais ricos detêm 37% das fortunas da região. Os mexicanos vêm em seguida, com 23%, o equivalente a US$ 714 bilhões.
O que explica o aumento acelerado das riquezas no Brasil foi o grande número de IPOs (Ofertas Iniciais de Ações) nos últimos dois anos. Segundo o BCG, a maior parte das empresas que abriram o capital pertencia a grupos familiares que, rapidamente, transformaram parte de suas empresas em dinheiro vivo para investir. Os negócios que mais fizeram milionários estão ligados a agropecuária, petróleo e minérios.
No rastro desse crescimento, o mercado de luxo no país cresce 17% ao ano, descontando a inflação, o que significa ritmo três vezes superior ao da economia do país. A expansão vem se mantendo nos últimos quatro anos e, segundo estudos internacionais, seguirá até 2013.
A fila de milionários aguardando artigos sofisticados, que vão de bolsas e sapatos, passando por jóias e aviões executivos, já chega a 18 meses em alguns casos. Bancos nacionais e estrangeiros que atendem essa classe já lucram mais que as instituições similares que atuam com os milionários nos EUA, na Europa e no Japão.

Investimentos e Servidão Financeira

O artigo, escrito por mim, em parceria com Leda Paulani, foi publicado originalmente no livro organizado por João Antonio de Paula, Adeus ao Desenvolvimento, publicado pela editora Autêntica, de Belo Horizonte, em 2005.

Analisando a Formação Bruta de Capital Fixo e a Balança de Rendas do Brasil, de 1947 a 2004, procuramos definir o papel do Brasil na nova dinâmica de predominância financeira da valorização e, parafraseando o velho mote sobre o sentido da colonização, perguntamo-nos sobre o sentido da industrialização.

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